PT ameaça retaliar PMDB
Correio Braziliense
Tiago Pariz
Vaccarezza: “Se um senador do PMDB for eleito, vai ficar muito difícil para o PT apoiar o Temer”
O PT quer casar o jogo pelas presidências da Câmara e do Senado e ameaça romper o acordo fechado em favor do deputado Michel Temer (PMDB-SP), postulante à sucessão de Arlindo Chinaglia (PT-SP). Os deputados petistas pressionam os senadores peemedebistas em busca de uma garantia de reciprocidade em torno do nome de Tião Viana (PT-AC), que quer ocupar a cadeira hoje comandada por Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN). “O PMDB tem que se entender lá (no Senado). Se um senador do PMDB for eleito, vai ficar muito difícil para o PT apoiar o Temer”, afirmou o deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP).
As reivindicações dos petistas surgem depois de a candidatura de Temer ter sido lançada oficialmente. Na bancada do PMDB, há duas dissidências, os deputados Rita Camata (ES) e Osmar Serraglio (PR). Em público, os petistas se dizem confiantes quanto à possibilidade de cada sigla comandar uma das Casas do Congresso. O líder da legenda na Câmara, Maurício Rands (PE), usa como argumento a tese de que não é saudável para o Congresso ter o mesmo partido presidindo deputados e senadores.
“Não achamos que haverá problemas para ter o Tião Viana no Senado e o Michel Temer na Câmara”, disse Rands. “As soluções (para Câmara e Senado) tendem a caminhar juntas”, acrescentou. A tese é a mesma do ministro de Relações Institucionais, José Múcio Monteiro. “As eleições são casadas”, declarou. Para Múcio, a consolidação da candidatura de Temer deve ser feita em paralelo com a do Senado — Tião Viana, no caso. O ministro confia no tempo para resolver os problemas. E aposta que haverá bom senso entre os partidos em nome do “equilíbrio do Congresso”.
Não bastasse a desconfiança entre petistas e peemedebistas, outra siglas se mostram contrárias ao acordo. Líderes do PSB estão incomodados por terem sido alijados das discussões entre PT e PMDB. “Existem outros partidos além dos dois. Para o Temer construir um bom nível de apoio terá de conversar com outros partidos”, disse um dirigente socialista. Além disso, as críticas são direcionadas ao fato de o acordo entre Chinaglia e Temer não ter considerado a hipótese de o Senado encontrar resistências a um nome petista.

