A bancada dos deputados do PT em São Paulo acusou o governo estadual de ter firmado contratos irregulares de R$ 1,3 bilhão com a empresa francesa Alstom entre 1991 e 2002 – a maioria deles nas sucessivas administrações tucanas do Estado
Baseada em dados do TCE (Tribunal de Contas do Estado), a liderança do PT aponta que a empresa francesa firmou 139 contratos com o governo estadual, no período de 1989 a 2007, que totalizam R$ 7,6 bilhões.
Os deputados verificaram também que cerca de 10 estatais paulistas tiveram contratos com a multinacional, dos quais seis foram julgados irregulares pelo TCE, num total de R$ 1,3 bilhão. Essas irregularidades são apontadas em contratos firmados no período entre 1991 e 2002 com a Cesp (Companhia Energética de São Paulo), o Metrô e a CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos).
A liderança decidiu investigar os contratos após a denúncia do “Wall Street Journal” de que a Alstom – responsável por obras de extensão do metrô paulistano no valor de US$ 45 milhões -, teria pago US$ 6,8 milhões em propinas para obter o contrato com o governo paulista.
A Alstom é uma das empresas que integra o consórcio Linha Amarela do Metrô, ao lado da Andrade Gutierrez, Camargo Corrêa, OAS, Odebrecht e Queiroz Galvão.
Segundo os deputados petistas, a empresa teria vencido licitações sem ao menos participar de concorrências. De acordo com os dados da bancada do PT, a Alstom assinou nove contratos sem licitação, avaliados em R$ 58,7 milhões. Além destes, outros 20 contratos – que totalizam R$ 2,1 bilhões – aparecem na pesquisa sem informações sobre o tipo de licitação.
O líder do PT na Assembléia, deputado Roberto Felício, defende a criação de uma CPI para investigar as relações do governo estadual com a empresa francesa.
“Vamos começar a colher as assinaturas. Temos 23 até agora. Precisamos conseguir pelo menos 32. Mas fica difícil com a blindagem existente na Alesp atualmente. O Palácio dos Bandeirantes manda ordens expressas à bancada governista para que nenhum pedido de CPI seja assinado”, explicou.
A bancada também quer que o atual secretário de transportes metropolitanos de São Paulo, José Luiz Portella, o presidente do Metrô, José Jorge Fagali, sejam ouvidos nas comissões temáticas da Casa, uma vez que vários contratos firmados em governos anteriores sofreram aditamentos e prorrogações na atual gestão.
“Há uma continuidade dos governos tucanos. Nosso governador, que já pediu ao Metrô que inicie a investigação referente aos mandatos anteriores, deveria ter a mesma boa vontade com os contratos firmados na atual gestão”, acrescentou o deputado Simão Pedro.
Os deputados estaduais recorreram à bancada federal do PT para tentar ouvir autoridades que supostamente estariam envolvidas no caso. “O deputado Carlos Zarattini está preparando um requerimento que deve ser votado já na semana que vem pelos parlamentares”, disse Felício.
Com informações do Uol.

