Jornal do Brasil
A entrada do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso nos debates pré-eleitorais foi comemorada por dirigentes e lideranças petistas na segunda-feira, 8 de fevereiro. Na avaliação do partido, os ataques de FHC facilitam a estratégia de campanha da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, de comparar as gestões petistas e tucanas.
– Acho que essa polarização entre os dois governos é boa porque permite comparação. Uma frase mais agressiva vai ocorrer na campanha. Essa presença do Fernando Henrique na cena política, vinculado a campanha do Serra, pede comparação entre as duas gestões – ressaltou o ministro da Justiça, Tarso Genro, de malas prontas para deixar o governo e se dedicar à campanha estadual no Rio Grande do Sul. – Isso é positivo para a democracia porque permite que a população compare os dois projetos. Um do Fernando Henrique, que se vinculará ao Serra, o que é bom para o PSDB e também ajudará a campanha da Dilma. Ela representa o presidente Lula e é essa comparação que interessa para nós.
– No desespero dos tucanos, ele resolveu aparecer. Quanto mais ele fala, mais fácil é fazer o vínculo do Serra com o Fernando Henrique e com o governo Fernando Henrique – observou o presidente nacional do PT, deputado Ricardo Berzoini. O petista também criticou as declarações de FHC classificando Dilma como um “boneco” cujo “ventríloquo” seria Lula. – Mais uma vez, como sociólogo, o Fernando Henrique só desmerece a categoria. A Dilma é reflexo do processo político que a liderança social conhece muito bem.
O líder do governo na Câmara, Cândido Vacarezza (PT), disse que nem os candidatos tucanos querem destacar a gestão do ex-presidente.
– Ele vai atrapalhar ainda mais os candidatos dele, que querem escondê-lo. Ele precisa ter cuidado, senão vai se desmoralizar e aumentar a sua rejeição, maior do que já está – cutucou o parlamentar petista.
Segundo o ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, o ataque do ex-presidente aos petistas em um artigo e as declarações desqualificando o poder político da ministra não foram tratadas na reunião de coordenação política realizada segunda-feira. Padilha tentou minimizar o impacto das opiniões de FHC no Palácio do Planalto e reafirmou que o governo está decidido a concentrar os debates eleitorais na comparação entre os dois mandatos de Fernando Henrique e os dois de Lula. De acordo com o ministro, essa opção é reforçada inclusive pela ausência de propostas do PSDB para o futuro.
– Ninguém comentou (na reunião) porque não impressionou a todos – assegurou Padilha. – Enquanto a oposição não falar o que quer fazer daqui para frente, só podemos comparar com o que fizeram. A partir do momento que disserem o que pretendem fazer, nós vamos discutir. Até agora só o que foi dito é que querem acabar com PAC, mudar a meta de inflação, mexer na taxa de câmbio, rever os juros.
Padilha também saiu em defesa de Dilma, ressaltando que a ministra reúne a experiência necessária para exercer um papel de “protagonista”.
– A ministra a cada dia supera desafios. Ela foi a primeira mulher a ser secretária da fazenda no Rio Grande do Sul, também a primeira a ser secretária de Minas e Energia e superou o desafio de ser primeira ministra de Minas e Energia e a da Casa Civil, reforçando o papel de protagonista dela no nosso governo e no que pode ser o futuro do país – afirmou Padilha.
Outro petista que também voltou a defender a estratégia comparativa foi o senador Aloizio Mercadante (PT-SP).
– Essa comparação vai fortalecer a campanha da Dilma – sentenciou o senador. – Eu acho que esse é um bom caminho que vai ajudar o Brasil a entender o discurso embutido em tudo que foi feito. (Com agências)

