A ministra da Casa Civil, Dilma Roussef, acompanhou o presidente Lula em Londres, onde o presidente recebeu o prêmio Chatam House, e participou de seminário sobre investimento no Brasil.
Em entrevista ao “Financial Times”, o correspondente Jonathan Wheatley quis saber de seu eventual governo. Pergunta e resposta: “Lula diz bastante que gostaria que você o sucedesse, na eleição. Que tipo de relação você vê entre os setores público e privado, olhando para o futuro?”
“É estratégica, para nós, uma cooperação entre o setor privado e o setor público. No passado, diante de crise, o Estado brasileiro cruzava os braços e deixava as empresas aos seus próprios meios. O governo era parte do problema, hoje é parte da solução. O que vamos almejar é uma relação moderna. O governo não constrói uma só estrada, uma só hidrelétrica. Quem faz é o setor privado. O papel do governo é ser um indutor. Em vez de comprar uma plataforma de US$ 2 bilhões no exterior, por que não dar incentivo à indústria brasileira ou às empresas estrangeiras estabelecidas no Brasil para quem produzam?”
Em conversa com jornalistas brasileiros, a ministra Dilma falou sobre o Estado em que acredita: “Nem mínimo nem máximo; o adequado”. Exemplo prático de adequação: quando assumiu em 2003 o Ministério de Minas e Energia, havia 25 motoristas e apenas três engenheiros.
Leia, abaixo, matéria de Clóvis Rossi sobre o evento, publicada na edição de hoje da Folha de S.Paulo:
Dilma improvisa seu primeiro comício eletrônico
Foi absolutamente involuntário, mas a ministra Dilma Rousseff acabou sendo a protagonista do que soou como o primeiro comício eletrônico da campanha eleitoral de 2010.
Dilma havia sido apresentada por Quentin Peel, um dos moderadores do seminário sobre investimento no Brasil, como alguém que poderia concorrer à Presidência.
No intervalo, Dilma saiu para tomar um café e começou a conversar informalmente com a Folha quando todos os jornalistas de televisão que seguiam o evento apertaram a ministra contra o balcão do café e crivaram-na de perguntas, a começar pela campanha de 2010.
A jornalista quis saber se Dilma achava que o público do seminário viera para ver a candidata. Ela negou: “99% vieram para ver o Brasil”. Mas depois foi encadeando uma resposta após outra até improvisar um mini-manifesto eleitoral.
Manifesto que reforça a imagem usual da ministra como nacionalista, desenvolvimentista e favorável a mais intervenção do Estado. Mas ela qualificou em que Estado acredita: “Nem mínimo nem máximo; o adequado”. Exemplo prático de adequação: quando assumiu em 2003 o Ministério de Minas e Energia, havia 25 motoristas e apenas três engenheiros.
O Estado de Dilma seria, portanto, muito mais executivo do que inchado. Nessa trilha, comentou a polêmica fiscalização x execução desencadeada por Lula, ao criticar o que considera excesso de instrumentos de fiscalização, que travam as obras.
Para Dilma, o problema não está no excesso de instrumentos de fiscalização, mas na carência de meios de execução.
Um Estado capaz de ser mais executivo teria, segundo ela, que atacar o problema dos salários dos professores e do equipamento da Polícia Federal.
O desenvolvimentismo nacionalista aparece quando ela defende que o Brasil em vez de só exportar minério, produza peças de aço ou cascos de plataforma para explorar petróleo.
Quando a Folha pergunta se tudo o que ela dissera não era uma plataforma pós-Lula, a resposta vem rápida – e negativa: “Não, é para o que resta do mandato do presidente Lula”.
O Estado reapareceu no discurso com o qual Lula agradeceu o prêmio Chatam House-2009, do Royal Institute of International Affairs, que recebeu à noite: “Não queríamos, e não queremos, um Estado que intervenha abusivamente no sistema produtivo ou busque substituí-lo. Necessitamos no entanto de um Estado que induza e regule o desenvolvimento. Um Estado democrático, com fortes mecanismos de controle e participação social”.

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