Diminuiu a parcela da pobreza rural no Brasil

por Cássia Almeida – O Globo

Extensão de benefícios na área agrícola garantiu melhoria na renda. No país, houve também mais emprego formal

O cenário rural que sempre ilustrou a pobreza no Brasil ficou metropolitano. A primeira explicação está na queda da proporção de pobres no Brasil, que era de 45% no início dos anos 90 e caiu para 22,9% em 2008 (último dado disponível).

Estudo que a pesquisadora do Instituto de Estudos de Trabalho e Sociedade (Iets) Sonia Rocha apresenta hoje no 22° Fórum Nacional mostra essa mudança na composição da pobreza entre as metrópoles e a zona rural. Em 1995, apesar de representar 19,8% da população, os moradores da zona rural eram 24,7% dos pobres.

Já no Brasil metropolitano, a participação na população era de 30,7%, superior à sua representação entre os pobres (28,7%).

Essa redução na pobreza rural está fortemente associada à expansão da cobertura dos benefícios pagos pelo sistema de aposentadoria rural, diz a pesquisadora no estudo.

Em 2008, essa situação mudou.

Enquanto a população rural representava 14% do total, a pobreza rural ficou em 15,4% do total de pobres; os moradores da metrópoles representavam 30,9% da população e 36,5% entre dos pobres.

Nos períodos de crise, as metrópoles sentem mais rapidamente os impactos, porém também reagem mais cedo nos momentos de recuperação explica Sonia.

E isso ficou flagrante entre 2004 e 2008, reduzindo o ritmo de queda das desigualdades regionais, diferentemente do que se viu entre o Brasil metropolitano e o rural. Apesar de a pobreza ter caído 27% no Nordeste, a redução foi de 35% no Sudeste.

Todos ganham, mas a retomada beneficia mais diretamente os centros dinâmicos da economia diz Sonia.

Trabalhadores mais pobres ganharam mais Outro efeito esperado com a expansão econômica é a escassez de mão de obra. Esse fenômeno fez crescer o salário dos trabalhadores mais especializados, porém em patamar inferior aos mais pobres e pouco qualificados.

E a explicação para o fenômeno está na valorização real (descontada a inflação) de 32% do salário mínimo entre 2002 e 2004. Isso fez os ganhos da parcela dos 20% mais pobres dos ocupados crescer 36%, enquanto entre os 20% mais ricos, essa alta foi de 14%.

Isso se deveu à valorização do mínimo acoplada à formalização da economia, principalmente no trabalho. O mercado está criando emprego e empresa.

Diante desse quadro, Sonia acredita que a pobreza deve ter continuado a cair em 2009, sem interromper a redução contínua desde 2004, mesmo com a crise financeira global que fez a economia brasileira parar em 2009. Os números só serão divulgados em setembro: Com o mínimo mais alto, expansão do Bolsa Família e criação de emprego, a pobreza deve ter caído.

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