De volta ao Congresso, aliados aproximam-se de petista

Por Raquel Ulhôa – Valor Econômico

A coordenação política da campanha de Dilma Rousseff (PT) a presidente da República quer aproveitar a presença de deputados e senadores em Brasília nesta semana – convocados para o esforço concentrado do Congresso – para buscar maior capilaridade da candidatura presidencial e entrosamento com as campanhas estaduais dos aliados.

O senador Gim Argello (PTB-DF) reúne hoje, em sua casa, senadores da base governista e ministros para almoço de “entrosamento” e troca de informações, com direito a gravação de apoios para os programas eleitorais dos Estados. Um dos objetivos é mostrar unidade dos partidos governistas. Embora o anfitrião não confirme, a expectativa dos participantes é que Dilma compareça, apesar dos preparativos para o primeiro debate na televisão entre os presidenciáveis, a ser promovido no dia 5 pela TV Bandeirantes.

Segundo Argello, mais de 40 senadores de partidos aliados e mais de 20 ministros haviam confirmado presença até ontem. “Eu quis aproveitar que todos os senadores estarão em Brasília nesta semana de esforço concentrado do Senado, para promover esse bate-papo com os ministros sobre suas áreas”, disse. O evento deverá reunir cerca de 60 a 70 pessoas, segundo ele. Líder do PTB e vice-líder do governo, Argello costuma promover reuniões de Dilma com senadores em sua casa.

Amanhã, será a vez dos deputados da base, que terão almoço com ministros na casa do deputado Luciano Castro (PR-RR). Dilma não comparecerá, já que teve encontro com mais de 200 deputados aliados antes do recesso parlamentar, na casa do deputado Eunício Oliveira (PMDB-CE). “Estamos fazendo um esforço para dar capilaridade à campanha da Dilma. E estamos conseguindo”, afirmou o líder do governo na Câmara dos Deputados, Cândido Vaccarezza (PT-SP).

A coordenação política da campanha de Dilma quer promover maior “entrosamento” e “ajuste” com as campanhas estaduais. A ideia é dar maior unidade aos discursos dos candidatos da base. Argello diz que também é uma oportunidade para que cada senador busque informações sobre projetos e ações nas áreas de cada ministro. Haverá um espaço preparado em sua casa para eventuais gravações de apoios de ministros a candidatos.

A maior parte dos senadores disputa reeleição ou outros cargos, como governador – e até mesmo deputado. A campanha entra numa fase decisiva em 17 de agosto, com o início da propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão.

Nesta primeira semana de agosto, Senado e Câmara realizarão o penúltimo esforço concentrado de votações (está prevista nova convocação para a primeira semana de setembro). Serão votadas medidas provisórias e algumas propostas a serem definidas hoje pelos líderes das duas Casas. Até as eleições, no período fora do esforço concentrado, Câmara e Senado funcionarão em recesso branco, com os parlamentares liberados de registrar presença, podendo ficar nos Estados para cuidar das campanhas.

Os senadores precisam votar até amanhã a medida provisória que transformou em ministérios as secretarias especiais de Direitos Humanos, de Política para Mulheres, de Igualdade Racial e dos Portos. Foram criados pela MP 190 cargos no Ministério da Saúde e outros 16 no da Integração Nacional. O aumento de despesa será de R$ 10,6 milhões.

Há três MPs na pauta do Senado que perdem a validade no dia 9: duas destinam créditos extraordinários para ministérios e órgãos do Executivo e uma autoriza repasse de R$ 800 milhões para o Programa Especial de Fortalecimento do Ensino Médio, voltado para os Estados das regiões Norte e Nordeste. Na Câmara, três medidas provisórias trancam a pauta, mas perdem a validade apenas em setembro.

Uma das prioridades do governo é a aprovação dos novos conselheiros do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e de seis embaixadores.

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