BB vai investir R$ 800 milhões em SP

Por Leandro Modé, O Estado de S. Paulo

Banco incorpora a Nossa Caixa e inicia projeto Estratégia São Paulo, que prevê mais agências e mais funcionários

Com a incorporação definitiva do Banco Nossa Caixa, cujo CNPJ foi oficialmente extinto ontem, dia 30 de novembro,o Banco do Brasil (BB) põe agora em prática um projeto batizado de Estratégia São Paulo. Pelo plano, que será oficialmente anunciado hoje, o BB investirá R$ 800 milhões no Estado nos próximos cinco anos.

O dinheiro será distribuído, basicamente, em três frentes: renovação do parque tecnológico (envolvendo as instalações da Nossa Caixa), abertura de mais agências e melhora da infraestrutura geral do banco em São Paulo, o que inclui a contratação de mais funcionários.

“Com isso, queremos consolidar nossa posição de liderança no Estado em todos os principais indicadores da atividade bancária”, afirmou o presidente do BB, Aldemir Bendine. Hoje, o banco controlado pelo governo federal lidera, por exemplo, no critério de agências: 1.334.

A primeira medida prática do Estratégia São Paulo é a contratação imediata de 1.500 funcionários. São profissionais já aprovados em concursos realizados pelo BB. O plano de incentivo à aposentadoria criado pela Nossa Caixa, segundo Bendine, é voltado para funcionários de alto escalão do banco paulista. Em geral, profissionais com vários anos de casa.

Outra mudança que passa a valer já a partir de hoje é a estrutura organizacional. O BB criou para o Estado uma espécie de diretoria-espelho da sede em Brasília. No comando, ficará Dan Conrado, carioca de 45 anos, 29 deles no banco. A ele responderão outros seis executivos.

Um deles será superintendente regional da capital. Outro cuidará de Campinas. Haverá, ainda, um para Ribeirão Preto e outro para Bauru. Além deles, o BB terá um superintendente para setor público (para lidar com prefeituras, governo estadual e Poder Judiciário) e outro executivo designado apenas para a infraestrutura.

O atual presidente da Nossa Caixa, Demian Fiocca, deixará a instituição. Diferentemente do que se especulava, Fiocca não vai comandar a BBDTVM (corretora de valores do BB). O Estado apurou que ele voltará para a iniciativa privada. Procurado pela reportagem, Fiocca informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que só falará sobre o assunto hoje, em entrevista coletiva.

Embora seja o maior banco do País há décadas – a liderança foi perdida por um curto período de tempo, logo após a fusão do Itaú com o Unibanco -, o BB sempre teve presença modesta em São Paulo, como reconhece Bendine. “Éramos o quarto maior em São Paulo, até porque a sede dos nossos principais concorrentes fica no Estado”, disse.

Os governos Luiz Inácio Lula da Silva e José Serra acertaram, há um ano, a venda da Nossa Caixa para o BB por R$ 7,6 bilhões – incluindo o dinheiro que foi para os cofres do Tesouro estadual e o que foi pago aos acionistas da Nossa Caixa.

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