A Semana 21 a 25 de setembro – Pagamento do 13º estimula consumo e aquece economia

1) Mesmo com a crise global, o País conseguiu impedir um aumento nos índices de pobreza. Pesquisa da Fundação Getúlio Vargas (FGV) divulgada esta semana mostra que 3,8 milhões de pessoas saíram da miséria somente no ano passado. Isso representa, no período, uma queda de 12,27% no número de pessoas pobres no País. Os dados constam da pesquisa Consumidores, Produtores e a Nova Classe Média, elaborado pelo Centro de Políticas Sociais da Fundação. O levantamento revela que 19,3 milhões de brasileiros saíram da miséria desde o primeiro ano do governo do presidente Lula, em 2003. Já 25,7 milhões de pessoas deixaram as classes D e E para a classe C; e 6,1 milhões foram para as classes A e B. O que possibilitou esta mudança foi a melhoria do mercado de trabalho, o aumento real do salário mínimo e os programas de transferência de renda como o Bolsa Família.

2) Os dados de várias instituições públicas e privadas sobre o comportamento da economia brasileira são cada vez mais positivos. Mesmo cautelosas, as análises do mercado financeiro divulgadas nesta segunda-feira no boletim Focus, do Banco Central, mostram que o Produto Interno Bruto (PIB) deste ano parou de cair. Desde março havia uma projeção de redução do produto. As análises do estudo divulgado nesta semana pelo BC confirmam que a economia cresceu 1,9% no segundo trimestre em comparação com primeiro trimestre do ano. As ações preventivas do governo, como o corte do Imposto Sobre Produtos Industrializados (IPI) dos carros e da linha branca contribuíram significativamente para a recuperação do setor. Para o próximo ano a expectativa do mercado e dos analistas do BC é de que a atividade industrial deverá registrar um crescimento de 6,0%. Este número vem melhorando a cada boletim Focus. Outro indicador que revela a total recuperação da economia é a balança comercial que registrou um superávit de US$ 556 milhões na terceira semana deste mês, segundo dados do ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. No mês, o superávit acumulado é de US$ 1,363 bilhão. No ano, o País acumula um superávit comercial de US$  21,331, ante um saldo positivo de US$ 19,319 no mesmo período de 2008.

3) Também no comércio as perspectivas são otimistas. Estimativas do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) apontam para uma injeção de R$ 75,8 bilhões na economia até dezembro, com o pagamento do 13º salário. Projeções mais otimistas do setor privado apontam para a entrada de, pelo menos, R$ 140 bilhões na rede comercial. Os cálculos incluem 60,5 milhões de assalariados e 15,3 milhões de aposentados e pensionistas. Isto significa crescimento de cerca de 20% no volume de compras registrado no ano passado. Colaborou para isto o aumento no volume de crédito direto ao consumidor ( passou de R$ 50 bilhões ofertados somente no mês de dezembro do ano passado para R$ 65 bilhões agora) disponibilizado pelos bancos, financeiras e crédito direto das lojas. A queda nas taxas de juros também contribuiu para a recuperação. Em agosto os juros cobrados ao consumidor registraram a menor taxa mensal dos últimos 14 anos – 7,08%. A retomada da produção industrial e as projeções para as vendas no comércio já impactaram os índices de emprego. Segundo dados divulgados pelo Caged, o Brasil já recuperou todos os postos de trabalho cancelados com a crise econômica global de setembro do ano passado.

4)
O plenário está com a pauta sobrestada pelas MPs 462, 466 e 467. As emendas aprovadas pelo Senado à MP 462, que prevê repasse de recursos ao FPM, deverão ser acolhidas pela Câmara. Quanto às MPs 466 e 467, que dispõem, respectivamente, de serviços de energia elétrica nos sistema isolados e prorrogação de contratos por tempo determinado firmados junto a organismos internacionais, há possibilidade que a 467 seja apreciada primeiro, visto que existe um relativo consenso pela sua aprovação. Além das MP’s, também tranca a pauta o  PL 5.665, de 2009, que institui a Política Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural para a Agricultura Familiar e Reforma Agrária. Continuam entre as matérias passíveis de inclusão na pauta o segundo turno da PEC dos Vereadores e a discussão da Reforma Tributária.

5) As quatro comissões especiais do marco regulatório do pré-sal na Câmara começam efetivamente os trabalhos nesta semana. Serão definidos os roteiros de trabalho para cada comissão. Foram apresentadas  diversas emendas ao texto original encaminhado pelo governo, entre elas, algumas semelhantes ao texto sugerido pelo Instituto Brasileiro  de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP), que representa empresas multinacionais de olho no pré-sal. A ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, lembra que o novo marco defende os interesses nacionais e representa o nosso passaporte para o futuro. A mídia e a oposição insistem em tachar o governo Lula de nacionalista e estatizante. O próprio economista-chefe diretor da Agência Internacional de Energia (AIE), o turco Fatih Birol, diz que ao longo dos últimos 20 anos, mais de 80% do crescimento da produção mundial no mercado de petróleo vem de companhias nacionais de petróleo, não de companhias internacionais. Segundo ele, os anos gloriosos das companhias internacionais estão lentamente caminhando para o fim. Daqui para a frente, as companhias nacionais dominarão os negócios de petróleo e suas posições no mercado ganharão em importância.

6) O presidente Lula participa na quinta e na sexta-feira da cúpula do G-20, em Pittsburgh, EUA. Será uma oportunidade para o Brasil reiterar a necessidade de reforma do FMI e do  Banco Mundial. Para o Brasil e outros países em desenvolvimento, a redistribuição do poder decisório no FMI é um dos principais pontos da agenda de Pittsburgh.  Lula defenderá a consolidação do grupo como fórum de líderes para discussão de temas econômicos e financeiros, com regras claras de trabalho que confiram regularidade ao processo. Também vai pedir que o FMI monitore de maneira igual a economia dos países desenvolvidos e a dos em desenvolvimento. A cúpula  é a primeira grande reunião internacional em que o anfitrião é o presidente Obama, que estaria interessado em alcançar resultados concretos, ante a resistência da Europa, super representada no FMI. A crise abalou os países desenvolvidos e aumentou o peso relativo e a influência dos países de mercado emergente e em desenvolvimento. China, Índia, Brasil e outros países já vinham aumentando seu peso relativo antes da crise de 2008-2009. Depois da crise econômica mundial, e com a resistência de vários desses países emergentes à turbulência, o nosso poder de barganha cresceu consideravelmente.

7) Na quarta-feira, o presidente Lula abre a  Assembleia Geral da ONU com pronunciamento voltado para a crise econômica, a ausência de governança mundial estável e a ameaça da mudança do clima e necessidade de ampliação do Conselho de Segurança, ao qual o Brasil pleiteia um assento como membro permanente. Lula atacará o que chama de “resistência dos países desenvolvidos” a assumir sua parte na mudança climática. O presidente dirá que a redução das emissões de gás carbônico depende de todos, mas que aqueles mais desenvolvidos têm de transferir tecnologia para preservar o ambiente e e garantir o desenvolvimento sustentável. Deve reiterar a crítica ao embargo econômico imposto pelos EUA a Cuba, que ele considera “anacrônico”.

A Semana é elaborada pela liderança do PT

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